Museu é uma palavra de origem latina proveniente do termo Museum, que por sua vez deriva do grego mouseion. Inicialmente, faz referência ao templo dedicado às nove Musas, filhas de Zeus com Mnemosine, a deusa da Memória. No entanto, foi só a partir do Renascimento que este termo passou a ser aplicado em relação a coleções de objetos de valor histórico, cultural e artístico. Mas o hábito de colecionar objetos remonta, poderíamos dizer assim, à pré-história, como testemunham os “sambaquis” encontrados em sítios arqueológicos.

Conforme referências registradas em textos clássicos, como em Homero e Plutarco, historiadores afirmam que já se encontravam na Antiguidade, coleções de objetos de arte ou de materiais raros ou preciosos. Sabemos também que reunir obras de arte, durante a Idade Média, era visto como uma demonstração de prestígio. A partir do advento das grandes navegações e da descoberta de novos continentes, a formação de coleções de objetos artísticos ou curiosidades naturais foi bastante estimulada, servindo, inclusive, de base para os famosos gabinetes de curiosidades. Alguns dos museus mais importantes da atualidade, constituídos na Europa do século XVIII, surgiram a partir destes acervos provenientes de coleções particulares ou reais.

Podemos, assim, dizer que os primeiros museus surgiram de coleções privadas de pessoas, famílias ou instituições muito ricas. Estes museus, no entanto, eram acessíveis apenas para uma minoria bem restrita de pessoas. Era difícil entrar neles. O primeiro museu verdadeiramente público, como se compreende hoje, foi o Museu do Louvre, aberto após a Revolução Francesa. Esta foi a primeira vez na história que se permitiu acesso livre às antigas coleções da realeza francesa para pessoas de todos os estratos sociais. O museu era então visto como instrumento de educação e esclarecimento do “povo”, agente importante na consolidação dos Estados nacionais. Este conceito de museu como um agente do fervor nacionalista teve grande influência na Europa.

O avanço do conhecimento, a influência dos enciclopedistas franceses e o aumento da democratização da sociedade provocado pela Revolução Francesa fazem surgir o conceito de coleção como instituição pública, chamada “museu”. Assim o primeiro verdadeiro museu público foi criado em 1793 na França pelo Governo Revolucionário de Robespierre: o Museu do Louvre, com suas coleções acessíveis a todos, com finalidade recreativa e cultural. O Séc. XIX é a época em que surgem muitos dos maiores e mais importantes museus em todo o mundo. Só posteriormente começaram a surgir os museus modernos especializados em determinados temas ou áreas. Porém, muitas e intensas foram as transformações a que estiveram sujeitas estas instituições ao longo dos séculos XIX e XX, culminando com críticas severas sobre o papel e a função dos museus, ao longo da década de 1970, oriundas dos mais diversos campos do saber. Os museus possuem um caráter educacional vinculado à sua própria origem, uma vez que, desde o início, se configuravam como espaços de pesquisa e ensino.

Segundo José M. Brandão (1996, p. 66-67), as preocupações com a educação em museus são já muito antigas, embora frequentemente se considere ser o Abbé Gregoire, fundador do Conservatoire des Arts et Métiers em Paris (1794 - finais do século XVIII), o grande impulsionador destas questões, preocupado que estava com a formação técnica dos artífices franceses. No entanto, só a partir do século XX é que se começaram a fazer os primeiros trabalhos de observação dos visitantes e avaliação do tipo e a qualidade das informações fornecidas nos museus, podendo ainda dizer-se que os problemas envolvidos nas questões da ação cultural nos museus só nas últimas duas décadas têm sido tratados com maior profundidade. Da mesma forma, para Luis Oliveira Henriques, em seu artigo “A comunicação na escola e no museu”, apenas à primeira vista, escola e museu nada terão em comum.

Uma breve pausa e, logo, surgirão relações possíveis. Uma pausa maior e o título deste trabalho assemelhar-se-á à ponta visível do “iceberg”. Já há muito tempo que as escolas realizam visitas de estudo a museus. Estes, por sua vez, reconheceram a importância do público escolar e criaram os “setores educativos”. A nível internacional, este reconhecimento remontará a 1952, com a publicação, pelo ICOM, do texto “Musée et Jeunesse”, seguido de “Musée et personnel enseignant”, no ano de 1956. Em 1964, realizava-se, em Paris, o colóquio “Le rôle éducatif et culturel des musées” e, em 1965, na sequência de toda esta movimentação, o “Comité de l’ ICOM pour l’éducation” passava a “Comité pour l’éducation et l’action culturelle”. Era a consagração do museu enquanto local de educação e, desde então, esse papel não deixaria de ser equacionado à luz da evolução das concepções de “educação” e das transformações sociais. (ANDRÉA FALCÃO).